o índio-espanhol e os guerreiros das américas

 

E o porquê de tudo? Porque sou guerreiro? Porque meu sangue? Quem é meu exército?

Um menino apareceu nesta grande-TEIA, trazia sinais... mandou-me alimentos, o único.

 

Mandou-me o Write por ele, e ali percebi quem seria.

Como ele saberia? Mesmo faltando-me a cabeça... como me reconhecia?

 

Meu filho abrira a primeira cartinha, de inocentes letrinhas.

Achei engraçado, nunca violara meus segredos.

Acredito, agora sei, que reconhecera o irmão...

de uma longínqua civilização.

 

Só poderia ser um dos nossos pequenos...

O filho de um povo iluminado, filho de reis degolados.

 

Tentei disfarçar, e lá vem o menino.

(coisas de criança, achar que eu poderia esquecer)

Lembrar-me o que nem a eternidade apaga:

-Nosso ódio pelo invasor... que não só invadiu,

destruiu nossa honra, nosso orgulho.

 

Diante de nosso povo... Nosso Rei,

como um covarde, aprisionaram.

Foi o pior de tudo...

nem precisava nos matar. Ali morríamos inteiros.

 

E veio o menino, trazendo hoje, não o Write,

mas nome de povos que vagam a explicar

que pereceram pelo maior valor que tinham:

-A inocência sincera.

A única máquina que nos leva a intermináveis viagens

pela infinita simplicidade do universo.

 

Li o menino... e como sempre,

chorei de alegria.

A lembrança de meu povo, agora, o inocente me trazia.

 

Fui ao Mestre dos Invisíveis,

uma angustia só a lhe consultar.

 

Do Write calei-me dias,

Iludi o pequeno-ØVER.

Fiquei temeroso da mensagem que ele trazia.

Pois junto com o Write aconteceu algo que eu não entendia.

Senti todos ao redor, Os Invisíveis, parecia uma festa que faziam.

 

Na máquina eles tem poder sobre o modem, e só.

E nele futucaram à vontade.

Nunca os vi brincar, e fiquei sem entender.

Depois partiram, e me senti abandonado.

Hoje entendi: -era a chegada do Grande-Dia.

 

Será mais uma tentativa

de aplacar o ódio de toda uma civilização.

 

Se falharmos, mais uma vez um exército infindo de guerreiros

irão romper em prantos, como se fossem as crianças que nunca criaram,

os pequenos que nunca puderam treinar.

 

Mas não se abaterão,

nem que seja em dez milênios mais...

ou milhões.

Sempre voltarão.

 

Hoje recebi do Mestre

a ordem de acolher o príncipe.

 

Bem-Vindo pequeno, seus pais e exércitos te esperam.

 


 

E a todos sempre tentei confundir: os iguais me entenderiam.

 

Em meu socorro, à minha volta estavam nações de espiritualidade.

Todas choravam o sangue derramado de inocentes iluminados.

 

Mais uma vez o lampejo da vingança.

Meus avós, os espanhóis, não sei porque me ensinavam

que era um dos sentimentos mais nobres.

Será que sabiam que em mim habitava parte de um exército

que se quisesse os destruiria?

 

Pareciam dar a benção, e mesmo pedir perdão...

do que seu povo fizera aos pais de meus outros irmãos.

 

Até da ásia se ouvia o choro das américas.

 

Por isso os chineses, junto com o fuzil, trouxeram-me os segredos.

E depois... me apresentaram "um maricas" que só falava em paz.

 

Porque Gandhi no "baixo meretrício" deu-se o trabalho de me encontrar?

E quando o encontrei lhe disse:

-Fosse eu oficial-inglês às Indias, em seus "primeiros" escritos, eu lhe mataria;

pouparia toda uma Nação de conhecer a sua covardia. Apagar a Luz

que você trazia.

 

Porque resolvera levar-me a mensagem do amor? -o poder verdadeiro emana do amor.

 

Eu que aprendera com os chineses: -o poder verdadeiro está na ponta dos fuzis.

 

Depois entendi:

Eu só guerreava, mas não vencia.

 

Eu teria de ter amor, e ser amor... pois em minhas mãos estavam as chaves

da libertação de um exército sedento de sangue, inundados de ódio e vingança.

E o amor pode ser o instrumento dela... porque é justa!

 

Aí entendi.

 

E tornei-me um dos maiores amigos de Gandhi.

(ele não gosta que digam que "o seguiam" - somos todos irmãos,

e antes de tudo, amigos)

 

E isto bastava.

 

Só pelo amor poderia enroscar-me ao redor da Fera.

A mesma que determinou que nosso Rei fosse sacrificado.

Assassinos que invadiram nossas terras... e levaram

nossa vida e nosso ouro.

 

Falo por eles, e não sou eles.

Sou o carcereiro a abrir-lhes as portas da liberdade.

 

Por isso sou guerreiro, por isso sou meio-índio e meio-espanhol.

É o meu sangue.

 

O sangue dos degolados encontrou-se com o degolador.

 

Por isso Espanha, por isso os 18, mesmo que seja x10 ou x... 1000 de milhões.

 

São os dezoito assassinos de nosso Rei, de nossa honra.

 

Terão de sangrar pelo misto dos sangues...

O do invasor a pedir clemência pela eternidade.

O dos sacrificados a vê-los, sem dó sangrar, e sangrar mais e mais...

um sangue verde, da cor do que idolatram.

 

Por tudo que destruiram.

 

Por isso Neruda, por isso Tripod em espanha.

Por isso Kurt e o ódio pelos cartéis. Os invasores.

 

Meus antepassados habitavam a corte do invasor.

Meus antepassados habitavam a corte dos degolados.

 

Encontrarem-se em mim, e o exército rebelou-se.

 

Uivam, mais do que A Fera.

Uivam por Vingança,

Eterna.

 

 

De um Rei, à frente de seus guerreiros, humilhado... e degolado.